O cancro da mama apresenta particularidades consoante a faixa etária de cada doente. Desde o diagnóstico ao tratamento, todo o processo deve ser individualizado para encarar as suas características. A Susana Sousa, do Hospital CUF Porto, moderou a sessão “Tratamento individualizado na jovem: o que pode ser diferente?”, destacando, em entrevista, a abordagem da Cirurgia, da Radioncologia e da Oncologia Médica nesta faixa etária. Veja o vídeo.

O João Vargas Moniz, do IPO de Lisboa, fez uma apresentação “excelente” com dados para compreender as diferenças nos subgrupos etários em relação a várias características da abordagem cirúrgica. Na sessão, demonstrou-se que “a mulher jovem tem, à partida, um maior número de envolvimento ganglionar e axilar”, implicando uma abordagem da axila cirúrgica diferente das faixas etárias mais velhas.

O André Laranja, do IPO do Porto, abordou a Radioncologia com a apresentação da revisão bibliográfica de metanálises, ensaios e guidelines. Com estes dados, destacou o ultrafracionamento e o hipofracionamento, bem como as suas implicações. Além disso, é primordial ter em consideração que a mulher jovem com cancro vive mais tempo, logo pode ter toxicidades tardias.

Por fim, a Mónica Mariano, do IPO de Coimbra, destacou o tratamento sistémico na grávida e que particularidades devem ser consideradas no tratamento com hormonoterapia e quimioterapia, por exemplo, das doentes jovens. Por fim, terminou com um assunto “muito relevante” sobre “as múltiplas valências” que a doente jovem apresenta, enumerando a oncofertilidade, o aconselhamento genético, as mutações, a Psiconcologia e a Oncosexologia. “Por isso, a mulher jovem traz todas estes temas à discussão quando falamos deste grupo de doentes que é cada vez maior.”

O cancro da mama na jovem é cada vez mais frequente, pelo que é importante ter uma “avaliação multidisciplinar e conhecer as particularidades da Cirurgia, da Radioncologia e dos tratamentos sistémicos”. Em suma, esta deve ser a “visão para o futuro: tratarmos e orientarmos melhor com estratégias terapêuticas mais individualizadas para estas jovens”.